- Tenho! É mais novo que eu, já não o vejo há uns cinco anos...
- E quer dizer que ele nunca se alistou?
- Não chegou. Desistiu da Academia um ano antes de acabar o curso. Chateou-se com os professores e largou tudo. A família ainda tentou fazer com que ele ao menos acabasse o curso, mas ele não quis ouvir ninguém e acabou por desenvolver anticorpos a tudo o que tem a ver de perto ou de longe com a federação...
- E então fez-se mecânico?...
- É, mais ou menos... já fez um pouco de tudo, trabalhou num entreposto comercial em Marte, depois numa nave-cargo no sistema de Sirius, numa empresa de extermínio bacteriológico em Nari e quando nasceu o seu segundo filho instalou-se por conta própria em Ganimedes, abriu um estaleiro naval, onde repara pequenos aparelhos civis. É bem mais que um mecânico, acredita, é um dos melhores engenheiros que já conheci, melhor que alguns engenheiros-chefe com quem já tive que trabalhar. É mais um..., um engenheiro auto-didacta, não há nó biotrónico que ele não deslinde ou objecto que não consiga pôr a voar.
- Ei, espera lá, isso quer dizer que tens dois sobrinhos?, exclamou sorridente Drago, dando-me uma palmada nas costas.
- Sim, eh eh, um sobrinho e uma sobrinha, Tom e Mia, 9 e 6 anos.
Drago parecia contente por descobrir que Joe também era tio, como se isso os aproximasse de alguma forma, como se os dois sendo os primogénitos das suas famílias, vivessem a parentalidade por osmose.
Na esquina de Saturn Boulevard e Ashit Street quase chocaram com um Arracholknek, uma raça gastrópode trípede do sistema de Nimgassa. Este tinha dois metros e vinte de altura, mudou para o amarelo, o que nesta espécie denotava irritação. O arracholknek borbulhou um insulto qualquer que Joe não percebeu. Não fosse a fama desta espécie de serem uns calmeirões pacíficos, Drago, que visivelmente falava a língua, não teria ousado lançar em tom de desafio: "És muito saído da casca, ó lesma!". Novo borbulhar ainda mais sonoro, que os dois já não ouviram.
Joe estancara diante de um portão verde metalizado, já enferrujado, com uma inscrição meio-apagada: " R. Iktana - Tech Engenheiro". Tentaram encontrar o ecrã para tocar à campainha, mas este parecia avariado. Empurram o portão e este abriu facilmente. Penetraram no que parecia ser um armazém e tentaram habituar-se à penumbra. A oficina era um verdadeiro cafarnaum de motores de arrefecimento para naves todos os tipos e tamanhos, aparelhos biónicos, iónicos, tubos indutores, ecrãs empilhados... No centro, em cima de quatro carris estava uma motopod meio destruída.
Sem comentários:
Enviar um comentário